"Uma geração vai, e outra geração vem; mas a terra para sempre permanece.
Nasce o sol, e o sol se põe, e apressa-se e volta ao seu lugar de onde nasceu.
O vento vai para o sul, e faz o seu giro para o norte; continuamente vai girando o vento, e volta fazendo os seus circuitos.
Todos os rios vão para o mar, e contudo o mar não se enche; ao lugar para onde os rios vão, para ali tornam eles a correr.
Todas as coisas são trabalhosas; o homem não o pode exprimir; os olhos não se fartam de ver, nem os ouvidos se enchem de ouvir.
O que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se fará; de modo que nada há de novo debaixo do sol."
Em tese, Salomão disse isso há mais ou menos 2500 anos, e consta no livro de Eclesiastes 1 - 4:9. Na verdade, a data não importa. Nem o autor. É uma daquelas tipicas citações em que o conteúdo importa mais do que o autor.
Não sou dessa época (se fosse, até que estaria bem conservado), embora algumas vezes me sinta mais velho do que realmente sou.
É impressionante, mas questionamentos que existiam há 22 anos - quando iniciei minha carreira em TI -, e que já foram sistematicamente despidos, insistem em existir.
Mesmo com a informação disponível literalmente na palma das mãos e uma facilidade que sequer tenha sido imaginada pela maioria de nossa geração anterior.
Os dois leitores assíduos de minhas publicações podem se perguntar: "Porque essa introdução?"
A resposta é bem simples.
No decorrer desse ano interagi com centenas de pessoas através de minhas publicações, aulas e eventos. Estudantes de diversos cursos e segmentos e profissionais já atuantes em suas respectivas áreas.
Muitos levantaram excelentes questões técnicas, algumas das quais geraram publicações incríveis no blog MCSE Brasil e que foram inteiramente replicadas no LinkedIn.
Mas uma questão que insiste em existir, de forma resumida, mas mantendo o contexto é: Faculdade ou Certificação?
De tanto responder a essa questão, através de meu sempre deficiente ponto de vista, consegui concatenar as idéias e traçar paralelos que me ajudam a respondê-la de forma mais eficaz.
No tempo de nossos pais, a maioria dos brasileiros não possuíam o segundo grau completo. Não fui em busca da informação, mas algo me diz que seja assim ainda hoje. Ainda assim, os bons cursos profissionalizantes que existiam lhes garantia empregos cuja remuneração lhes permitia viver e sustentar suas famílias com dignidade e algum conforto.
Nessa mesma época, quem possuía terceiro grau completo - o famoso "nível superior" - possuía "vida de rei". Eram majoritariamente muito bem remunerados, tiveram carreiras ascendentes, criaram empresas das quais algumas se tornaram verdadeiros impérios, enfim ... Ser graduado era um baita diferencial.
Muitos desses são profissionais ou empreendedores influentes e renomados atualmente.
O tempo passou, e alguns anos depois, somente uma graduação já não era garantia de tanto sucesso profissional. Conhecer a língua inglesa já fazia alguma diferença.
Ser graduado e falar inglês era tudo de bom na época.
E novamente quem possuía esses requisitos, se dava bem no mercado de trabalho. Notem que falo de um tempo onde a oferta de emprego era abundante. Lembro de meu pai nos contando que a industria em que ele trabalhava (Santista) contratava religiosamente duas vezes por semana!!!
Mas o tempo não deixou de passar ... Com o avanço da tecnologia e o aumento da demanda por profissionais "mais antenados", dominar ou ao menos entender um pouco disso era muito bem visto pelo mercado de trabalho.
E todo esse avanço, criou por fim a categoria de profissionais que muitos de nós atuamos ainda hoje: T.I.
E todo esse avanço, criou por fim a categoria de profissionais que muitos de nós atuamos ainda hoje: T.I.
Com a maior oferta de produtos e serviços relacionados a esse segmento, os mais diversos fabricantes começaram a criar métodos para atestar o conhecimento dos profissionais em suas respectivas tecnologias. E com isso nasceram os cursos e exames de certificação, cujo proposito era atestar que o fulano era realmente capaz de atuar com seus produtos.
Entre os diferenciais mencionados pelos fabricantes, estava o fato de o profissional ser oficialmente reconhecido pelo fabricante e a certificação obtida ser válida em qualquer parte do mundo. Imagina você poder sair de seu país e ir para qualquer outro sem a necessidade de se submeter a sub-empregos? Era realmente tentador poder trabalhar em qualquer parte do planeta, dentro de sua área de atuação.
Assim, o mercado de trabalho brasileiro passou a valorizar profissionais certificados.
Minha primeira certificação oficial foi no Windows 2000, embora eu já tivesse feito todos os cursos de Windows NT e muitos de Novell Netware.
Jovem, certificado, com salário bem superior aos demais, múltiplas fontes de renda em função dos constantes freelas que apareciam, com o nível de empregabilidade lá em cima ... era bem interessante.
Fazer uma faculdade? Naquele momento nem pensar!!!
E isso permaneceu por algum tempo, até que criaram a necessidade de profissionais graduados e certificados. Percebendo isso, tive que correr atrás e me graduei.
Com 10 anos de experiencia em diversas consultorias e um nível de conhecimento bem acima da média, lá estava eu humildemente buscando meu diploma e adquirir conhecimentos que eu não possuía na época.
Mas naquela época, ser graduado e certificado deixou de ser diferencial. Se tornou pré-requisito para manter um bom nível de empregabilidade. O domínio da língua inglesa se tornou pré-requisito para muitas empresas e atualmente, vejo muitas vagas exigindo profissionais bilíngues. Espanhol está se tornando (ou já se tornou) pré-requisito.
Mas é só isso? Não!!!
Tenho visto algumas vagas anunciadas com a observação: "Desejável pós-graduação ou MBA".
Ou seja, o que se tornará pré-requisito num futuro muito próximo já está sendo anunciado. As cartas já estão na mesa e atender a esses pre-requisitos só serve para nos mantermos no jogo, mas dentro da média. Isso já não é mais diferencial.
Em tese, os mais preparados se destacarão e profissionalmente sobreviverão às mudanças impostas pelo tempo.
Por outro lado, para se destacar, é necessário fazer aquilo que poucos fazem. Possuir aquilo que poucos possuem.
Logo, entendo que não cabe mais a dúvida que dá título a essa postagem.
Minha recomendação é: Façam tudo o que puder, da melhor forma possível.
O que percebo como diferencial atualmente?
Minha recomendação é: Façam tudo o que puder, da melhor forma possível.
O que percebo como diferencial atualmente?
Não estou apto a falar de segmentos das quais não atuo (Skin in the game, sempre!!!), mas para profissionais de TI, noto carência de visão empresarial, corporativa. Sair um pouco daquele mundo de bits e bytes, manja?
À muitos, falta o entendimento de que a TI serve fundamentalmente para apoiar linhas de negócios, e que no final das contas, ao dono de uma metalúrgica (é só um exemplo) interessa mais a quantidade de peças que ele pode produzir no final do dia do que o quão sofisticado é seu ambiente tecnológico.
Noto desconhecimento de normas, procedimentos, boas práticas e regulamentações que impactam diretamente nossa área.
Me pergunto quantos profissionais de TI realmente estudaram e entendem o quanto violar o disposto no Marco Civil da Internet pode ser prejudicial à sua empresa?
Quantos já estudaram a LGPD? Quantos já fizeram, ainda que de forma modesta, uma análise de riscos relacionados ao ambiente tecnológico em que atuam?
Sabem como otimizar sua infra-estrutura e torná-la segura utilizando inicialmente somente os recursos nativos do sistema operacional em que atuam?
Conseguimos automatizar rotinas?
Sabemos estimar o custo da nossa infra-estrutura? E a depreciação dela ano a ano?
Pois é ... esse conhecimento pode nos dar o diferencial necessário para nos fazer sair da média, nos destacar.
Talvez vale a pena refletir.
Abraço